Não aprecio literatura policial mas este livro morava na minha biblioteca há mais de 15 anos.
Resisti. Muito.
Mas ter um livro ali fechado e passar com os dedos por ele sem conseguir detetar a cumplicidade que se estabelece entre mim e os livros lidos, acariciados e digeridos era doloroso. Que me desculpe Daniel Pennac, mas era demais.
E aí fui eu...
O livro é composto por três novelas policiais publicadas separadamente em jornais chilenos e a primeira dá o nome ao livro.
Com um humor negro regista com frieza, cinismo e sem emoção uma personagem que esconde a sua vida de killer numa relação que de sentimental tem pouco e onde a companheira é sempre vista com um carater sexual. O que lhe aponta de interesse é sempre ligado ao corpo e nunca às suas qualidades morais ou intelectuais: " Como toda a intelectual é algo ingénua, por isso acredita em qualquer história que lhe conte".
Matadores de aluguer, redes organizadas de crime internacional, leis que falsamente defendem os direitos humanos, paixões na hora errada e que não condizem com uma ética de crime. O autor aproveita todos estes elementos para criar neste livro um clima de James Bond numa escrita que elimina todo o "ruído" que nos pudesse afastar ou distrair da ação principal.
Será que o facto do autor o definir como "sentimental" irá influenciar as suas decisões na hora de cumprir a "encomenda"?
De leitura fácil e divertida, mas sem ter conseguido reabilitar-me para este tipo de literatura.

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